"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

sábado, 7 de maio de 2011



Punhado de amor

Naquela manhã de maio
a criança no quintal
juntou pedras pequeninas,
miúdas pedras mimosas
e correu barraco adentro,
em conchas entreabrindo
as mãozinhas estendidas:

- Manhê! Eu trouxe um presente.
Olhe como elas brilham
quando à luz do sol expostas!
Está contente? Você gosta?
 
Naquela manhã de maio
o bolso do avental
ficou cheio de pepitas,
as mais belas e preciosas,
o maior entre os tesouros!

- Eu gosto muito, meu anjo,
são lindas, maravilhosas!
E não existe no mundo
nada que para mim
tenha igual ou maior valor
que o seu punhado de amor!

                                                      Isabel Pakes


terça-feira, 3 de maio de 2011



Não seja quase, um pouco, um tanto...

 Não seja o amor, em mim, estagnado,
lago lodoso, mórbido, escuro,
depositário do ego e seus parasitários,
que a hipocrisia agrega e a apatia adere.
 
Não seja inerte, omisso, estático,
notas insossas sem acidentes,
gotas viciosas no mesmo tom.

Não seja pobre, fraco, frouxo,
um veio tímido, lasso, ralo, raso...
Não seja estéril, não se evapore vão.

Não seja morno. Frio e quente
são estados diferentes
que o sentir não pode temperar.

Seja canto e contra-canto,
riso e pranto, docilidade e espanto,
Mas, não seja quase, um pouco, um tanto...
Que o verbo não conjuga meio-amar.

Seja fluente, borbulhante, intenso!
Entregue em plenitude,
sem medo de secar no anseio de se dar,
que a nascente é em mim,
mas a água é do oceano.

Seja o amor, em mim, água jorrante,
transbordante! Rio caudaloso, forte, vivo!
Arraste em corredeiras gravetos mortos
e das flores que arrebate leve as sementes
aonde o néctar anda escasso e os colibris ausentes.

                              Isabel Pakes


sexta-feira, 29 de abril de 2011




"No mundo nada mais existe a não ser o amor. Qualquer que ele seja."  Pablo Neruda







segunda-feira, 25 de abril de 2011



Divina simbiose

O Homem lavra a terra
que acolhe a semente
que gera a flor
que produz o nectar
que alimenta a abelha
que o transmuta em mel
que alimenta o Homem
que se reconhece
centelha do Criador,
que traz à luz a semente
no conjugar do Verbo
perpetuando a Vida
cooperando Amor.

                               Isabel Pakes




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"O fim da arte é quase divino:
ressuscitar, se faz história;
criar, se faz poesia."

Victor Hugo


quinta-feira, 21 de abril de 2011



 Quando você voltar  


Quando você voltar, tudo terá mudado:
o tempo, o clima, a paisagem...
Ramas novas terão brotado,
passarinhos deixado o ninho,
homens terão... passado.
 
Quando você voltar
não encontrará o velho espelho camarada
que demorava, às vezes, meses
para alterar um só dos seus sinais.
Sua ausência causou nele um dano irreparável!
Seu reflexo envelheceu antes da hora e agora
não há como remover os traços que  revela a mais.
 
Quando você voltar a água terá se reciclado tanto...
O que era rio já foi mar, nuvem, neve...
Já percorreu imemoráveis distâncias!
Aquelas lágrimas que foram suas
talvez, hoje, orvalhem a relva, quem sabe sob que pés?
Talvez banhem uma criança... uma esperança!
E a mágoa convertida tenha, enfim, o seu revés!
 
Quando você voltar tudo terá mudado!
A vida terá levado os dias que foram maus
e os que não foram também.
Contudo, terá ficado no seu álbum de lembranças,
registros de um aprendizado que só vivendo se tem.
Nunca mais o mesmo engano, nunca mais o mesmo medo...
Nunca mais a mesma dor! Nunca mais!
E, no universo dos seus versos, para mitigar desenganos,
a essência da poesia que não mudará jamais!


                                      Isabel Pakes

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sábado, 16 de abril de 2011




O Caminho da Vida





O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.


A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.


Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.


Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.


Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.


Charles  Chaplin - em seu último discurso no filme "O Grande Ditador".


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