"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

quarta-feira, 21 de março de 2012



21 DE MARÇO 
Em comemoração ao Dia Mundial da Poesia,
presto homenagem a um grande amigo poeta,
publicando aqui uma de suas obras.



POETA

A cada momento de divagação
 sente o poeta brotar-lhe no cérebro
gotículas alfabéticas que preguiçosamente escorrem
por sua veia literária e esvaem pela ponta da caneta.
Viaja o poeta no tempo, na asa do pensamento, 
não lhe importa o transcorrer das horas.
O importante é o sentimento momentâneo,
que o inspira de forma tal
e  o empurra ao encontro do papel.  
Em seu isolamento temporário, 
entregue de corpo e alma ao trabalho criativo, 
não se importa com o produto final.
Utiliza, como matéria prima, seu dom divino.
Ao poeta cabe transcrever idéias,
aos leitores deixa a apreciação final.
A imortalidade da sua obra é mero critério 
de quem, de uma forma ou outra, 
conhecer os seus trabalhos.
Nem sei dizer se, com um julgamento mais apurado, 
o poeta não será um enviado de Deus, 
destinado a amenizar, com suas  letras,
os caminhos tortuosos dos espíritos desesperados, 
ou se mero porta - voz das coisas belas e fortuitas 
da existência terrena.
Cada poeta carrega consigo uma responsabilidade enorme, 
pois, vezes sim, vezes não, escreve coisas que não quer - 
- nunca o que não sente / mesmo 
que só para registrá-las / mesmo que só para si.
Talvez depois de décadas, amareladas as páginas 
de muito dormidas, gerações vindouras lhe reconheçam
algum valor. Será...! 
Por certo, o poeta é médico.
Por certo, o poeta é louco.

             Ruy Silva Santos - membro do -NUCAB -
                  Núcleo da Cultura Afro – Brasileira,
               da Academia Sorocabana de Letras
             e do Conselho Municipal da Cultura de Sorocaba/SP






terça-feira, 6 de março de 2012



Sopra, Deus! 
    
  Sopra, Deus! 
Sopra em mim a tua centelha
para que se abrase 
e torne em cinzas 
os sentimentos medíocres 
e mais o medo e mais a culpa 
que em minha ignorância
no descuido de minha fé
eu tenha deixado 
se incrustar em meu coração
vedando-lhe o lume. 
  
Sopra, Deus! 
Sopra em mim a tua centelha
para que se inflame 
aclarando meu pensar
apurando meu sentir
recompondo-me a integridade 
para que eu possa em verdade
"templar" o teu amor em mim 
a serviço da vida a que vim. 

                                                Isabel Pakes







terça-feira, 28 de fevereiro de 2012



O amor é... 


O amor é feito água,
às vezes se evapora,
parece que seca,
que vai-se embora,
depois volta a fluir...
Como chuva torrencial
inunda o leito do mesmo rio. 

                                                   Isabel Pakes




domingo, 19 de fevereiro de 2012



Nostalgia

Nostalgia é um instante
que escapole do seu tempo
pra reavivar boas lembranças
dormentes no coração.
Teletransporta-se em flores,
cheiros, paisagens, melodias,
em noites enluaradas,
tardes chuvosas, poesias...
Circunstâncias que relembram
o que foi vivido um dia.
Doces momentos provados
num tempo do nunca mais.

Nostalgia é um instante
deslocado do passado
despertando no presente
o que na mente dormia.
É um instante de dois tempos
num mesmo tempo fundidos.
É a canção da alegria,
na voz da melancolia.

                                                    Isabel Pakes


Imagem Google

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012



Haikai

Sol escaldante
andorinhas migrantes
verão passante. 

                                                        Isabel Pakes


domingo, 29 de janeiro de 2012



Só a brisa...

Pendia a rosa esvaecida
num cantinho do jardim,
perdeu a cor, a frescura...
que destino passageiro.
Cumpriu seus dias, tão poucos,
mas com tanto amor viveu,
tão intensa e dadivosa
que deu de si toda a glória
toda a sua graça e beleza
ao meio em que nasceu.
Perfumou a brisa,
encantou tantos olhares
inspirou tantos amores...
Tão bela foi e agora, 
sem mais o viço e o olor,
ninguém mais olha pra ela,
ninguém com ela se importa,
ficou a rosa esquecida.
Só a brisa... Só a brisa
compassiva, piedosa
passa de leve, mansinha,
da-lhe alento, conforta
e acaricia-lhe as pétalas
mesmo depois de morta

                                             Isabel Pakes
Imagem Google

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



Um sem fim

O tempo traça em meu rosto o seu percurso,
circundante, acentuando os sulcos,
colhendo noites e replantando dias,
sorvendo o orvalho e absorvendo os raios...
Dentro do espelho me agastando.

Porém, porquanto em mim
registre o seu transcurso,
guardo-me eterna em sua razão
e entremeando crepúsculos e auroras,
trespasso o espelho
e me refaço - caminho de transmigração.

Que o tempo em mim é um
sem fim.

                                                      Isabel Pakes