"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

segunda-feira, 2 de abril de 2012



Cerquilho Cidade Menina  
  
Quando passeio meus olhos por tuas ruas e praças 
tuas rosas me saúdam e fico orgulhosa de ti! 
Lembro-me de que nasceste de um humilde vilarejo 
onde abrigavas tropeiros que na calidez do teu colo 
descansavam seus quebrantos... 
Lembro-me dos estrangeiros, audaciosos lavradores 
chegados na Estação, trazendo de além-mar 
nada mais que garra e força, nada mais que amor e fé 
e tuas terras verdejaram, vestindo-as de cafezais! 
Lembro-me dos saber adentrando tuas portas; 
tua primeira professora, teus primeiros aprendizes, 
teu borburinho infantil no velho grupo escolar! 
Lembro-me do teu grito quando a dor te estilhaçou, 
do teu pranto, do teu luto, das tuas flores soterradas... 
E de como renasceste, como a hera entre as ruínas, 
tímida, assustada, mas ansiosa por viver! 
Quantas lágrimas te banharam! Quanto suor te regou! 
Mãos de aço, incansáveis, te soergueram das cinzas 
e te fizeram mais forte, mais vigorosa ainda! 
Lembro-me de como creceste vitoriosa! 
Do verde-cana mesclando-se ao verde-cor do café... 
Das tuas indústrias ativando suas rodas denteadas 
para nunca mais parar. 
Lembro-me dos teus filhos, trabalhadores devotos 
que honram teu padroeiro, teu amado São José! 
Dos teus filhos cujos braços sempre abertos  
acolhem quem te procura buscando o teu amparo 
e cujas mãos se entrelaçam, unificados na prece, 
entoando louvor e glória à providência dos céus! 
Lembro-me da tua bandeira que baila com a brisa, 
toda vaidosa ostentando os frutos do teu trabalho, 
margeando de azul anil as páginas da tua história! 
Ah... Minha cidade menina! 
Tão robusta, mas menina. Radiante, graciosa! 
Exalas essência de rosas e provocas dentro em mim 
algo que não explico, porque não sei definir. 
Só sei que estou orgulhosa, muito orgulhosa de ti! 

                       Isabel Pakes - 1987


Cerquilho/SP - 63 anos em 03/04/2012


domingo, 25 de março de 2012



Porque eu sou... 

Sou de um tempo antes do tempo
pelo Spiritus Dei concebida,
que antes de Ser já Era.
Sou o instante de um sopro,
do excelso aflar do Amor,
que no Verbo se eterniza.
Do caos ao cosmos estou,
geração a geração 
inextinguível e evolutiva.
No inspirar e expirar
da Grande Respiração,
tenho em mim todas as vidas
dos filhos da Criação.
Porque eu sou a VIDA!
Eterna VIDA!

                                                      Isabel Pakes


Imagem Google

quarta-feira, 21 de março de 2012



21 DE MARÇO 
Em comemoração ao Dia Mundial da Poesia,
presto homenagem a um grande amigo poeta,
publicando aqui uma de suas obras.



POETA

A cada momento de divagação
 sente o poeta brotar-lhe no cérebro
gotículas alfabéticas que preguiçosamente escorrem
por sua veia literária e esvaem pela ponta da caneta.
Viaja o poeta no tempo, na asa do pensamento, 
não lhe importa o transcorrer das horas.
O importante é o sentimento momentâneo,
que o inspira de forma tal
e  o empurra ao encontro do papel.  
Em seu isolamento temporário, 
entregue de corpo e alma ao trabalho criativo, 
não se importa com o produto final.
Utiliza, como matéria prima, seu dom divino.
Ao poeta cabe transcrever idéias,
aos leitores deixa a apreciação final.
A imortalidade da sua obra é mero critério 
de quem, de uma forma ou outra, 
conhecer os seus trabalhos.
Nem sei dizer se, com um julgamento mais apurado, 
o poeta não será um enviado de Deus, 
destinado a amenizar, com suas  letras,
os caminhos tortuosos dos espíritos desesperados, 
ou se mero porta - voz das coisas belas e fortuitas 
da existência terrena.
Cada poeta carrega consigo uma responsabilidade enorme, 
pois, vezes sim, vezes não, escreve coisas que não quer - 
- nunca o que não sente / mesmo 
que só para registrá-las / mesmo que só para si.
Talvez depois de décadas, amareladas as páginas 
de muito dormidas, gerações vindouras lhe reconheçam
algum valor. Será...! 
Por certo, o poeta é médico.
Por certo, o poeta é louco.

             Ruy Silva Santos - membro do -NUCAB -
                  Núcleo da Cultura Afro – Brasileira,
               da Academia Sorocabana de Letras
             e do Conselho Municipal da Cultura de Sorocaba/SP






terça-feira, 6 de março de 2012



Sopra, Deus! 
    
  Sopra, Deus! 
Sopra em mim a tua centelha
para que se abrase 
e torne em cinzas 
os sentimentos medíocres 
e mais o medo e mais a culpa 
que em minha ignorância
no descuido de minha fé
eu tenha deixado 
se incrustar em meu coração
vedando-lhe o lume. 
  
Sopra, Deus! 
Sopra em mim a tua centelha
para que se inflame 
aclarando meu pensar
apurando meu sentir
recompondo-me a integridade 
para que eu possa em verdade
"templar" o teu amor em mim 
a serviço da vida a que vim. 

                                                Isabel Pakes







terça-feira, 28 de fevereiro de 2012



O amor é... 


O amor é feito água,
às vezes se evapora,
parece que seca,
que vai-se embora,
depois volta a fluir...
Como chuva torrencial
inunda o leito do mesmo rio. 

                                                   Isabel Pakes




domingo, 19 de fevereiro de 2012



Nostalgia

Nostalgia é um instante
que escapole do seu tempo
pra reavivar boas lembranças
dormentes no coração.
Teletransporta-se em flores,
cheiros, paisagens, melodias,
em noites enluaradas,
tardes chuvosas, poesias...
Circunstâncias que relembram
o que foi vivido um dia.
Doces momentos provados
num tempo do nunca mais.

Nostalgia é um instante
deslocado do passado
despertando no presente
o que na mente dormia.
É um instante de dois tempos
num mesmo tempo fundidos.
É a canção da alegria,
na voz da melancolia.

                                                    Isabel Pakes


Imagem Google

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012



Haikai

Sol escaldante
andorinhas migrantes
verão passante. 

                                                        Isabel Pakes