"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

segunda-feira, 21 de maio de 2012

 
Retrato falado

De olhar expressivo 
que o tempo, parece, não quer violar. 
Em estado de novo, sem jaça. 
Como se os ventos de outono 
jamais hovessem soprado. 
Como se o brilho da luz da primeira hora 
nele tivesse se perpetuado. 
  
De sonhos azuis 
onde ilhou seu castelo 
e com seu príncipe valente 
para sempre se escondeu. 
Lá o amor é seu senhor! 
E não há dores nem prantos, 
nem sinais de trovoadas, 
nem mesmo bruxas malvadas 
(por mais que lhe tentem o espanto) 
que a façam despertar. 
  
De sorriso vivaz, 
no embalo da ciranda 
sempre, sempre a cirandar. 
Como se as flores da infância 
se guardassem indeléveis 
e se pudesse colhe-las 
num breve estender de mãos. 
Como se a inocência 
pudesse a qualquer momento 
ser facilmente resgatada 
de entre as folhas ingênuas 
do seu livrinho de estórias, 
aquele seu preferido, 
guardado em sua memória. 
  
Mulher, moça e menina. 
Três almas numa Maria! 
Augustas são todas elas, 
não porque Augusta a chamaram, 
mas porque augusta se fez! 

                                                   Isabel Pakes

Dedicado a Maria Augusta Amorim Nunes, uma amiga muito querida. (1992) 



segunda-feira, 14 de maio de 2012




Qualquer dia

  
Qualquer dia destes 
eu vou me vestir de brisa 
e brincar nas ondas  
dos teus cabelos. 
  
Qualquer dia destes 
eu vou me vestir de riso 
e me embalar na rede 
da tua boca. 
  
Qualquer dia destes 
eu vou me vestir de brilho 
e refletir no espelho 
dos teus olhos. 
  
Qualquer dia destes 
eu vou me vestir de amor 
e me guardar no cofre  
do teu coração. 

                                                        Isabel Pakes






terça-feira, 24 de abril de 2012



Conjecturas... 

Ontem ela esteve em minha casa, uma senhorinha idosa que muito vagamente se lembra das vivências por quais passou. Chegou toda alegrinha, muito sorridente, afagou o meu rosto e sentou-se no sofá, e ali ficou, como sempre faz, com os seus trejeitos próprios da idade avançada e senil, ouvindo as conversas à sua volta, porém, sem se inteirar dos assuntos, sem entender nada, mas rindo muito quando ríamos, mesmo sem saber a razão, enquanto acarinhava Sophia (minha cachorrinha) e falava com ela como se fosse outra criança. Digo outra, porque essa é a impressão que essa senhorinha me passa, de uma criança, apesar dos seus aspectos físicos muito envelhecidos, como se a própria vida tivesse se subtraído, em grande parte, de sua memória. Como se a VIDA, nela, apenas resguardasse o seu tempo de inocência. Como se tudo o mais fosse tão somente experiências terrenas necessárias, boas e não boas, que na “prova dos noves fora”, resultassem à sua VIDA, apenas o estritamente necessário para o seu desenvolvimento espiritual na rota evolucional. Conjecturas minhas, elucubrações... Nada de mais.

Isabel Pakes





Imagem Google



domingo, 15 de abril de 2012



A ponte


Nem a profundidade do rio,
nem o peso do trem,
nem a “fragilidade” da ponte.
Era o medo.
Medo do meu medo,
medo de pensar...
e a ponte ruir.

Fechava a cortina,
fugia de ver,
me escondia de mim.
Comprimia meu pensamento
dentro dos meus olhos rasos,
cerrados.

Não via o rio,
"salvava" o trem, porém,
 não “fortalecia” a ponte.
E o medo medrava à volta,
empanava a paisagem,
turvava a viagem.

Mas, uma noite, 
uma estrela atraiu o meu olhar.
Rútila luz, tão bela
pôs-me em êxtase a contemplar...
E o trem transpôs o rio
sem dar tempo de eu medrar.
E foi aí, nesse momento,
que aprendi a pensar. 

Meu pensamento caldeado
no fogo do coração
como o ferro foi forjado
em cruz de sublimação -
- ponte segura, perene...
Não tenho mais medo, não!
Quem ao alto estende os olhos
escapa aos temores do “chão”. 

                                                    Isabel Pakes

Imagem Google


domingo, 8 de abril de 2012



Haikai


Nas reviravoltas das ramas
a inconstância do vento
e o descaminho das águas.


                                                         Isabel Pakes



segunda-feira, 2 de abril de 2012



Cerquilho Cidade Menina  
  
Quando passeio meus olhos por tuas ruas e praças 
tuas rosas me saúdam e fico orgulhosa de ti! 
Lembro-me de que nasceste de um humilde vilarejo 
onde abrigavas tropeiros que na calidez do teu colo 
descansavam seus quebrantos... 
Lembro-me dos estrangeiros, audaciosos lavradores 
chegados na Estação, trazendo de além-mar 
nada mais que garra e força, nada mais que amor e fé 
e tuas terras verdejaram, vestindo-as de cafezais! 
Lembro-me dos saber adentrando tuas portas; 
tua primeira professora, teus primeiros aprendizes, 
teu borburinho infantil no velho grupo escolar! 
Lembro-me do teu grito quando a dor te estilhaçou, 
do teu pranto, do teu luto, das tuas flores soterradas... 
E de como renasceste, como a hera entre as ruínas, 
tímida, assustada, mas ansiosa por viver! 
Quantas lágrimas te banharam! Quanto suor te regou! 
Mãos de aço, incansáveis, te soergueram das cinzas 
e te fizeram mais forte, mais vigorosa ainda! 
Lembro-me de como creceste vitoriosa! 
Do verde-cana mesclando-se ao verde-cor do café... 
Das tuas indústrias ativando suas rodas denteadas 
para nunca mais parar. 
Lembro-me dos teus filhos, trabalhadores devotos 
que honram teu padroeiro, teu amado São José! 
Dos teus filhos cujos braços sempre abertos  
acolhem quem te procura buscando o teu amparo 
e cujas mãos se entrelaçam, unificados na prece, 
entoando louvor e glória à providência dos céus! 
Lembro-me da tua bandeira que baila com a brisa, 
toda vaidosa ostentando os frutos do teu trabalho, 
margeando de azul anil as páginas da tua história! 
Ah... Minha cidade menina! 
Tão robusta, mas menina. Radiante, graciosa! 
Exalas essência de rosas e provocas dentro em mim 
algo que não explico, porque não sei definir. 
Só sei que estou orgulhosa, muito orgulhosa de ti! 

                       Isabel Pakes - 1987


Cerquilho/SP - 63 anos em 03/04/2012


domingo, 25 de março de 2012



Porque eu sou... 

Sou de um tempo antes do tempo
pelo Spiritus Dei concebida,
que antes de Ser já Era.
Sou o instante de um sopro,
do excelso aflar do Amor,
que no Verbo se eterniza.
Do caos ao cosmos estou,
geração a geração 
inextinguível e evolutiva.
No inspirar e expirar
da Grande Respiração,
tenho em mim todas as vidas
dos filhos da Criação.
Porque eu sou a VIDA!
Eterna VIDA!

                                                      Isabel Pakes


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