"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


Intuição


Madrugada. Estranhezas...
O silêncio que ao longe vibra 
ressoa em mim, sonoro, 
perfumado de rosas. 
Intuição...? Deixo-me guiar 
e, entre versos e prosas,  
as encontro em tuas cartas,
perpetuadas na fotografia 
lindas, frescas, alvas! 
Magnetizam-me... 
Afago-as e respingam em mim 
sensações, impressões... sentimentos. 
Segredam-me...
E, o silêncio que de longe me tange, 
traduz-se... permeado em tuas rosas orvalhadas 
- o poema mais bonito brotado das tuas mãos -
e o que, "silente", resguardas,
na sutileza das pétalas, 
revela ao meu coração,
enquanto minh'alma se entorpece
da essência das tuas... palavras,
e os meus olhos se umedecem,
orvalhando-se também.
  
                                           Isabel Pakes




sábado, 4 de agosto de 2012



Apatia 

A noite me viu tão triste que chorou estrelas... 
E enviou-me a brisa que me sussurrasse um acalanto, 
adormecesse em mim tanto quebranto,
tanto desejo de não ser...

(Tanta querença e este desencanto!) 
  
Mas o meu ego, surdo e cego, recoberto por escamas, 
dessas que a alma tece para abafar as chamas, custava serenar. 
  
Então veio a alvorada! 
Adiantou-se em sua hora em meus cuidados, 
beijou-me a boca, a fronte, os pés... 
Que a luz viesse dissipar-me as brumas, 
se infiltrasse em minhas amarguras e me sanasse, enfim. 
Minúsculos sóis se pontilharam, às dezenas, 
na transparência das gotas orvalhadas e em mim...
em mim, nada!

(Tanto ardor e este frio!) 
  
E me encontraram as Onze-Horas
ainda recolhida ao desconforto. 
Essas florinhas tímidas se me abriram
com uma humildade santa 
que quase, quase me alentaram, 
não fosse em mim a dor maior que a fé, neste instante.

(Tanto néctar e este acre!) 
  
Tanta vida e esta apatia! 
Aonde foi a seiva que me vicejava e o mel que me adocicava?
Aonde foi você? 

                   Isabel Pakes (1966)





sexta-feira, 27 de julho de 2012




Sobras de amor
   
 
Há sobras de amor
rolando pelos cantos das casas inférteis
enquanto crianças, órfãos de afeto,
se abortam pelas sarjetas.
 
Não, isto não é poesia,
apenas um pensamento,
um desconforto da alma
num ter que viver terreno.
Igual quando vejo laranjas
apodrecendo nas árvores,
enquanto um espantalho mesquinho
afugenta os sanhaços.

                                                 Isabel Pakes





segunda-feira, 9 de julho de 2012





Só o amor... 

Em noites atribuladas quando a tristeza me assalta
e a insônia me castiga, volto pro meu passado 
buscar lembranças antigas... E sou de novo a menina
de olhos meditativos a contemplar as estrelas
e ao vê-las tão distantes neste Universo sem fim
onde tudo o que é circunstancial desvanece, 
penso o instante passante a dissolver-se no tempo,
no eterno tempo de Deus onde só o amor prevalece
e a tristeza não faz razão. Então, de alma leve, tranqüila,
fecho meus olhos de menina e, finalmente, adormeço.

                           Isabel Pakes








domingo, 1 de julho de 2012



Tolo

Tolo coração o que em teu peito bate
à mercê dos comandos do teu ego,
pensando-te passar por inocente
dos descompassos que invente.
Pois sendo o seu pulsar tão discrepante
do teu discurso e proceder,
ele mesmo te revela... incoerente.
Fazendo de ti mesmo o teu próprio oponente.

                                              Isabel Pakes




domingo, 24 de junho de 2012



Haikai

                                                  Dois sabiás saltitantes,
                              canto alegre e cativante...
                              Namoro de passarinhos.
     
                                                           Isabel Pakes



sexta-feira, 8 de junho de 2012




Ascensão
  
Do horizonte remoto 
o ser - cravado - aguarda 
o supremo sopro cósmico. 

Restam poucas pedras. 
Já os fiéis se aproximam... 
  
Luminárias às mãos se identificam 
e se multiplicam 
ao largo do grande templo 
que a seu tempo se conclui. 
E à dispersão da noite 
se possibilitam ascender os degraus
que dão acesso ao imenso portal. 
  
A escadaria é íngreme. Sabem, sobem.  
O patamar é estreito. Creem,
avançam. E na escalada, 
um a um, se agitam.

                                         Isabel Pakes