"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

segunda-feira, 29 de outubro de 2012



Altas horas...
 Noite quente de luar,
meus olhos me cobram o sono,
têm pressa de te sonhar.


                                             Isabel Pakes


quarta-feira, 17 de outubro de 2012




                                      Desafinado


                                            
Antes, o diapasão. O tom
                           afinado à íntima vibração.
                           Agora, um sibilo frouxo e distorcido
                           que erra pelos frios labirintos 
                           de ouvidos que se fizeram moucos
                           (temor e nulidade).

                            Ruídos externos e dissonantes
                            desvirtuaram-lhe a sonoridade
                            e o canto, antes doce como o mel
                            hoje é um silêncio que ressoa...
                            Desafinado. Mórbido. Mordaz.
                            (fel)

                                                      Isabel Pakes

  




segunda-feira, 1 de outubro de 2012



A avezinha do beiral

          Pousava ali, às tardes, a avezinha do beiral. Ia levar seu canto, seu alento... De repente, um ruído surdo cortou sua voz. Ruíra, por fim, o velho e soturno sobrado, tanto fustigar-lhe as ondas de mil pensares em turbilhão. Não mais assombraria o poeta com suas lembranças mórbidas, cheias de nódoas e farpas. Não mais. Sob os escombros das lôbregas paredes esfacelaram-se os seus desconfortos, seus entraves. Ele, o poeta, escapara ileso. Desperto do pesadelo, abriu-se à vida como olhos de condor. O coração pedia luz. E a vida resplandecia em cores, de horizonte a horizonte, sob o infinito azul, onde o tempo é sempre alvor. Em tempo, rebuscou seus anais, reviu seus feitos, atualizou conceitos... Revisou sua história com um novo olhar. Havia muito a acrescentar, novas estradas a percorrer, metas a alcançar. 

     Cálido soprava o vento. Em correntes ascendentes espalhava na atmosfera o perfume das flores que aspirara na primavera, como a receber em festas a nova estação. Hora de retomar-se, beber da própria fonte a água revitalizante, percorrer os campos interiores... Extrair o joio, aventar as ramas... Dourar a fronte sobre os trigais dos sonhos. Colher os frutos amanhados no tempo do sonhar risonho, enxertados de poesia no coração da semente, vingada à força da Vida, aos ralos raios de sol que, clandestinamente, adentravam o velho sobrado pelas fendas das janelas cerradas.

         Agora, sem mais paredes a cercear-lhe os ideais, sem mais o ranço da névoa densa a ofuscar-lhe a vista, sem mais a trava da solidão a emperrar-lhe os passos, lá vai o velho poeta, retemperado à luz clara dos dias de verão. Coração desassombrado compartilhando a colheita, a alma fértil germinando novos versos... Enquanto a avezinha se eleva sobre os escombros e segue-o... de longe... a cantar... 

Isabel Pakes






sábado, 22 de setembro de 2012



Primavera

Doce Primavera, 
conto meu tempo no teu tempo.
A cada vez que renasces eu somo...
Somo vida, ano a ano, em tua vida 
eternamente renascida. 

                                              Isabel Pakes



sábado, 1 de setembro de 2012



À Lua

Minhas reverências à Lua.
Não sendo dotada de luz própria
se reveste da luz do Sol
para abrilhantar as nossas noites
e, quando ele chega, se desnuda
sem se importar que a vejamos
pálida e fria,
e humildemente se retira
pela porta dos fundos.

                                                 Isabel Pakes

segunda-feira, 27 de agosto de 2012





Abriram-se as cortinas
como grandes asas janela adentro.
Feito pássaro invisível, 
trouxe um perfume de flores e se foi,
 o vento. 

                                                Isabel Pakes






sexta-feira, 17 de agosto de 2012



"Se alguém te perguntar 
o que quiseste dizer com um poema, 
pergunta-lhe o que Deus quis dizer
 com este mundo... "

                    ~ Mario Quintana

Foto Nasa