"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

quarta-feira, 29 de maio de 2013



Não bate, não

Vem de longe em inquietude,
dor de ânsias indomáveis...
Ó eco, não bate tão forte
no meu coração cansado
que o tempo enlanguesceu.

                                      Isabel Pakes


sábado, 18 de maio de 2013



Hálito da Vida 
  
E tendo criado o meio
com tudo o necessário 
o Espírito de Deus 
inspirou profundamente 
e vendo que era bom,
o ar puro e saudável,
espirou o Homem, 
alma vivente,
a quem confiou 
as terras e as águas. 
  
Porém, no andar do tempo, 
fomos nos desnaturando. 
Esquecemo-nos de nossa essência-
- sopro divino
e nos fizemos servos do egoísmo. 
Por ele ferimos a terra, 
poluímos as águas,
o ar...

A Natureza degenera-se.
E com ela, rarefaz-se
o hálito da vida. 
  
Contudo, é tempo ainda
 de recobrarmos...
Porquanto nos bafeje
o Espírito.

                                                 Isabel Pakes


quinta-feira, 2 de maio de 2013




Haikai


Vaga-lume pousado
na borda do ninho,
candeeiro de passarinho.

                               Isabel Pakes




sábado, 20 de abril de 2013




Impregnação

Lua crescente, estrelas mais fulgentes.
Por entre as silhuetas das árvores
um caminho de poucos passos.
No pequeno compartimento,
sobre a mesa rústica, um caderno,
uma caneta, algumas folhas soltas,
 pedacinhos de papel esparramados...
Rascunhos retalhados.

Sob tímida luz, um jovem poeta escrevia.
Silêncio. Nada, nenhum som,
nenhuma presença estrangeira
àquele universo íntimo e hermético,
apenas a musa do instante,
plasmada em seu pensamento.
Inspiração e transpiração.
No ar, um odor de paixão.
Cálidas mãos, cálidos versos.
Poesia em ebulição.

Um dia, o poeta se foi dali.
O tempo passou, 
o cenário se transformou, tudo mudou.
Porém, a essência da Poesia que o embebia
permanece ainda, no mesmo lugar,
recendente no ar.
Impregnação. 


                                             Isabel Pakes


Imagem Google

sábado, 13 de abril de 2013




Quando à luz a sombra se desfaz 

não é que a luz a tenha eliminado

é que a sombra se tenha iluminado.

                                       Isabel Pakes




quinta-feira, 21 de março de 2013




Outono


A chuva não cessa, o ar se resfria...

Minha poesia se desnuda como as árvores,

minhas palavras se extenuam pelas entrelinhas,

meus versos se esfacelam, consumidos pelo silêncio.


Minha poesia agora vaga 

nua de sentido

pela madrugada fria.


                          ~ Isabel Pakes





sexta-feira, 8 de março de 2013

8 de MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Essa mulher...

Prendo-me à lentidão dos seus passos.
Observo a figura miúda, a pele encarquilhada,
a névoa que empana o seu olhar...
E meu pensamento se entrega, divaga.
Tento adivinhar a soma dos seus anos,
 a cor dos seus cabelos antes de esbranquiçarem,
o viço que foi perdendo ao longo de sua vida...

Quantas histórias viveu? 
Sentimentos que provou... Quantos?!
Alegrias, tristezas, ilusões, desencantos,
dores, paixões, perdas, saudade, solidão...  
Cada um no seu momento e, o amor!
O amor, sempre! Sempre, o amor!
Amor de filha, de irmã, de amiga,
de mulher, de companheira, 
de mãe, de avó, de bisavó
e, entre tantos outros amores, 
o amor maior - o amor cristão. 
Sentimentos comuns à toda alma vivente.

Mas, ela, essa mulher em quem a vida já arqueja,
que tantas mudanças viu no mundo
e nela mesma, suas impressões em cada fase
e sobre tudo, tento adivinhar... 
E, agora, que o seu tempo, aqui, se escoa,
que a memória a atraiçoa,
o que será que lhe vai no coração? Tento adivinhar
e, de repente, como a ler meus pensamentos,
sua alma se revela diante dos meus olhos,
em seu semblante sereno, aflorada num sorriso
que a bebezinha, em seus braços, responde 
com um sorriso igual.

                                         Isabel Pakes


Imagem Google