"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

segunda-feira, 3 de junho de 2013




Senhor de mim 
  
Eis-me, Senhor de mim, 
vim a ti por conta do teu Amor. 
Por tua promessa, recebe-me.
Acolhe-me em tua aura, 
restaura minhas energias 
para que meus pés não se detenham 
à margem do caminho, 
tornando inútil todo o trajeto que já percorri. 
Ampara-me, Amado de minh’alma, 
reconforta-me. 
Dá-me do mel da tua boca, 
tua palavra é o meu sustento. 
Canta para mim a canção da verdade, 
acalanta-me sob a ternura do teu olhar,
cessa em tua paz o rumor dos meus conflitos. 
Guarda-me, Vida, em teu Sagrado Coração. 
Amém.

                 Isabel Pakes



quarta-feira, 29 de maio de 2013



Não bate, não

Vem de longe em inquietude,
dor de ânsias indomáveis...
Ó eco, não bate tão forte
no meu coração cansado
que o tempo enlanguesceu.

                                      Isabel Pakes


sábado, 18 de maio de 2013



Hálito da Vida 
  
E tendo criado o meio
com tudo o necessário 
o Espírito de Deus 
inspirou profundamente 
e vendo que era bom,
o ar puro e saudável,
espirou o Homem, 
alma vivente,
a quem confiou 
as terras e as águas. 
  
Porém, no andar do tempo, 
fomos nos desnaturando. 
Esquecemo-nos de nossa essência-
- sopro divino
e nos fizemos servos do egoísmo. 
Por ele ferimos a terra, 
poluímos as águas,
o ar...

A Natureza degenera-se.
E com ela, rarefaz-se
o hálito da vida. 
  
Contudo, é tempo ainda
 de recobrarmos...
Porquanto nos bafeje
o Espírito.

                                                 Isabel Pakes


quinta-feira, 2 de maio de 2013




Haikai


Vaga-lume pousado
na borda do ninho,
candeeiro de passarinho.

                               Isabel Pakes




sábado, 20 de abril de 2013




Impregnação

Lua crescente, estrelas mais fulgentes.
Por entre as silhuetas das árvores
um caminho de poucos passos.
No pequeno compartimento,
sobre a mesa rústica, um caderno,
uma caneta, algumas folhas soltas,
 pedacinhos de papel esparramados...
Rascunhos retalhados.

Sob tímida luz, um jovem poeta escrevia.
Silêncio. Nada, nenhum som,
nenhuma presença estrangeira
àquele universo íntimo e hermético,
apenas a musa do instante,
plasmada em seu pensamento.
Inspiração e transpiração.
No ar, um odor de paixão.
Cálidas mãos, cálidos versos.
Poesia em ebulição.

Um dia, o poeta se foi dali.
O tempo passou, 
o cenário se transformou, tudo mudou.
Porém, a essência da Poesia que o embebia
permanece ainda, no mesmo lugar,
recendente no ar.
Impregnação. 


                                             Isabel Pakes


Imagem Google

sábado, 13 de abril de 2013




Quando à luz a sombra se desfaz 

não é que a luz a tenha eliminado

é que a sombra se tenha iluminado.

                                       Isabel Pakes




quinta-feira, 21 de março de 2013




Outono


A chuva não cessa, o ar se resfria...

Minha poesia se desnuda como as árvores,

minhas palavras se extenuam pelas entrelinhas,

meus versos se esfacelam, consumidos pelo silêncio.


Minha poesia agora vaga 

nua de sentido

pela madrugada fria.


                          ~ Isabel Pakes