"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

quarta-feira, 7 de setembro de 2011



Corpo e Alma, Brasileiro

      Em minhas veias flui o sangue de muitas raças, por isso sou assim, um pouco indígena, um pouco europeu, um pouco afro, um pouco asiático... Americano mestiço. Meus braços concentram forças seculares, herdadas de outros tantos braços arrojados que a seu tempo rasgaram mares, desbravaram matas, estenderam fronteiras, lavraram solos, edificaram cidades e metrópoles. Por isso, minhas mãos são firmes e hábeis.

        Dai-me ferramentas: uma pá, uma caneta, uma enxada, um bisturi, uma agulha, um pincel, um martelo...  E verás uma potência indestrutível se erguer sobre este chão. Em minha mente se mesclam culturas advindas de outras terras, outros continentes, por isso a minha linguagem é doce, minha arte é farta e abrangente, o meu canto alegre, minha dança contagiante e a minha ciência... Ah! Confiai nela, cultivai seus fundamentos, concedei-lhe os meios e surpreenderás o Universo!

      Ainda que em meu peito o frêmito não cesse... Amo demais! É tão grande o coração que tenho, que não pulsa, ribomba sem parar pela constância da emoção. E se a sorte me atraiçoa, me abordando numa curva mal traçada pra tirar-me um bem precioso e uma dor pungente se ergue de repente à minha frente, feito uma muralha onde meu sonho se estraçalha, eu choro. Amargo pranto, sofrido, soluçado... Choro muito, choro tanto, que o mundo inteiro se salga com meu pranto - Réquiem para um bravo campeão. Ayrton Senna, saudade...

      Mas, se num tento de consolo, logo a ventura me acode impelindo pra bem alto o lance que me aflige, eu rio, eu rio e pulo e canto e grito: Brasil! Brasil! Brasil! E tomo nos braços um sonho novo pra embalar. Colo em meu peito uma estrela a mais, agito minha bandeira e outra vez me ponho a acelerar...

      Em minha aparência, reconheço, às vezes se acentuam traços de desolação e indignação, pelas falácias e camuflagens com que tentam me oprimir, me escamotear, mas daí, eu retoco as cores da minha cara e vou às ruas com garra e vontade de vencer, ainda mais verde/amarelo de esperança e energia, azul e branco de idéias claras e pacíficas! E não demora, sou de novo cem, mil, milhares, milhões de vezes mais varonil, com a força imbatível de uma nação inteira, justa e guerreira, abençoada por Deus!

       Eu sei que fatos obscuros do passado projetam suas sombras adiante em meu caminho, eu sei e não me iludo, mas não temo! Seguirei aprendendo com as experiências, discernimento e perseverança, adquirindo hábitos corretos de viver e trabalhar com dignidade, pelo ideal comum. Sempre avante, até que as sombras se dissipem e, finalmente, a ORDEM E PROGRESSO façam jus ao lema que carrego e ao HINO que entôo, e eu possa, então, conduzir o meu futuro à luz fulgurante do saber e da liberdade, com amor fraternal!

      Eu creio nisso! Creio na LEI que ampara os justos e exalta os oprimidos. E em minha fé persisto, em minha fé resisto! A dor me inquieta, mas não me consome. O mal me assalta, mas não me corrompe. Porque eu sou assim, um povo heroico, forte e amoroso, gerado pela mescla do sangue de muitas raças, provando ao mundo que é possível sim, viver em harmonia, um povo mestiço, porém, corpo e alma BRASILEIRO!


~ Isabel Pakes (07/09/1994)




sábado, 3 de setembro de 2011



A sós

Estendo-me diante de ti 
acolhida no leito das tuas mãos serenas.
Neste momento não quero ser apenas poemas,
quero ser também parte da tua essência.

Quero transpor a vidraça dos teus olhos, 
mergulhar no rio das tuas veias 
e percorrer-te ponta a ponta, 
levada pelas ondas das tuas emoções,
flutuar no teu pensamento 
e repousar depois,
na alcova do teu peito.
  
E mesmo que não possa
perdurar-me em tua memória, 
eu cantarei a glória de estar a sós contigo
por alguns instantes,
no aconchego do teu coração. 

                                                    Isabel Pakes



sábado, 27 de agosto de 2011




Por que hesitas? 


Não sabes há quanto te observo...
Por que hesitas?
Por que teimas em deitar teus olhos em longes paisagens,
quando aprendeste a brevidade do caminho?
Não te foi bastante o tempo escoado no ontem?
Só tens o hoje a percorrer.
O teu trajeto no amanhã, acaso já o tens traçado?
Não te move ver fluindo para o nada
o mel que deixas escorrer das mãos,
dádiva rara a uns poucos seletos como tu?
Acaso tens onde encontrar melhor doçura e sustância?
Já o tiveste antes?
O que almejas não virá dos lados do horizonte
onde a noite esconde o dia,
e sim do fogo inextinguível que crepita no teu íntimo
 e arde sem ferir.
Por que te esquivas do seu lume?
Por que te permites o malogro,
pensar que podes abafar suas chamas?
Acaso podes suplantar em ti a eternidade?
Não te apercebes de onde chega o facho que te alumia?
O que fazes negar a ti mesmo

não tens como esconder da brisa,
que, inocente, esparge largamente
o exalar da  flor de onde o mel te foi trazido.
Acaso carece ao devaneio a vestimenta das palavras?
Então, não é na profunda vastidão do silêncio,
que o Cosmo entrega seus segredos?
Estende teus olhos para dentro de ti, esse é o caminho.
Firma teus passos e segue teus íntimos apelos.
Sê fiel à tua verdade, à tua vontade, trabalha tua coragem,
dissipa tuas dúvidas, liberta-te, ama e sê feliz.

                                        Isabel Pakes

Rosa de Galáxias - Imagem NASA

quarta-feira, 24 de agosto de 2011



Poeta


Teu ego a descoberto,
teus sentimentos, tuas emoções,
tuas alegrias literalmente expostas,
tua saudade rimando à Auroras, Amélias e Marias...
teus desabafos, teus apelos, teus cuidados,
teu coração pulsando cá do teu lado de fora - tuas agonias,
tua morte de cada dia, tua alma exteriorizada,
teu inferno, teu céu, tua vida tanta vezes renascida,
teus êxtases, teus sonhos, teus delírios...
Teu ser em minhas mãos - tua poesia!

Teu demônio me tentando
teus pecados me pervertendo
teu anjo me guardando
teu amor me absolvendo
tua sina me encantando
tua arte me seduzindo
tua essência escorrendo em mim
pelas entrelinhas
minha alma se entregando à tua estesia
tuas musas fecundando as minhas
meus versos vindo à luz...
Meu ser em tuas mãos!


                                                     Isabel Pakes





sexta-feira, 19 de agosto de 2011




Peregrina


Guardo-me no Amor, ao sol de eterna luz.
Recosto nele minhas inquietudes
e em sua paz descanso os meus dias.
E dele me alimento.
São sempre doces os seus frutos
e fartos,
e a água sempre pura,
onde banhar minh’alma,
me desprender do pó
deste meu frágil e efêmero estado,
peregrina que sou, nesta esfera.

                                                   Isabel Pakes



Imagem Google


domingo, 14 de agosto de 2011

Descarte


Li o teu poema mais recente, sequiosamente!
Cuidava que seria para sempre a tua musa
e vaidosa me encontrar, como de costume,
envolta às carícias de teus versos.
Li com o coração aos pulos, sofregamente
e ao fim...
Salgou-me o riso inda latente o pranto inesperado.
Mas não pude, em meu orgulho,
admitir-me em meios aos teus descartes,
mesmo porque (pensei)
não poderias arquivar-me em teu passado,  
simplesmente.
Não a mim, que do amor te preparei a melhor mesa
e ambrosias te servi. Não a mim...
Tranquilizei-me à mão desse argumento
e como quem sai a procurar algo perdido
reli o teu poema, desta vez com mais vagar.
Vasculhei-o palavra por palavra buscando qualquer coisa,
qualquer coisa, mesmo que de leve me lembrasse
e ao fim...
Ao fim se me rompeu o riso represado
num espocar ruidoso e convulsivo.
De um modo bem discreto, quase escondido,
meu nome desfiado iniciava
cada verso que compõe o teu poema,
onde me enalteceste como jamais me pensaria.
Porém nada disseste do amor, nem da saudade,
num jeito bem sutil de me dizer adeus.


                               Isabel Pakes




Imagem Google


quinta-feira, 11 de agosto de 2011


Haikai

Poesia dourada
à beira da estrada.
Ipês de agosto em florada.

                                                         Isabel Pakes