"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011




Haikai


Cálida noite.
Janelas abertas,
visita de vagalumes. 

                                                          Isabel Pakes




sexta-feira, 2 de dezembro de 2011




AVANTE


De onde vieste? Que caminho trilhaste?
Que distância percorreste e que tempo
levaste até chegar aqui, agora?
Que proveito tiraste do seqüênciar das horas
ao labor dos dias desse tempo?
Quem acompanhou os teus passos?
Que bens conquistaste para ti ao longo desse trajeto
e que bens ofereceste de ti?
Que espécie de pegadas deixaste?
Cultivaste flores, ou só tiveste olhos para os abrolhos?
Que sentimentos despertaste
 naqueles que te puseram a caminho,
naqueles que te guiaram os passos,
 naqueles que te permitiram a passagem,
naqueles que te expandiram o saber, 
naqueles que te fortaleceram os ideais,
enfim, naqueles que caminharam contigo?
 E naquele que és tu mesmo,
que sentimentos te permitiste despertar?

Que sonhos semeaste para o teu amanhã?
Já sabes o que queres para ti?
O que queres para os teus?
O que queres para o meio onde vives?
Daqui, para onde pretendes ir?
Qual a tua meta?
Qual o grande objetivo da tua vida?
E quem és, dentro de ti?

Se não te conheceres em tua essência,
o mundo te abrirá todas as portas, porém,
não saberás reconhecer a melhor que cabe a ti,
para te fazeres um vencedor.

Chegaste aqui, agora, mas não é o fim do teu caminho,
tu sabes. Daqui seguirás para onde só a ti cabe a escolha.
Verificas tua bagagem, tens todas as ferramentas
necessárias para construir tu mesmo a serenidade do teu porvir.
O bem que conquistaste, multiplica-o vida afora
E, se algum tropeço tiveste, extrai dele o aprendizado,
leves contigo apenas o extrato das tuas experiências,
que te orientem na direção dos teus novos passos.
Não esperes de outrem as tuas glórias,
nem julgues como sina os eventuais contratempos
que surgirem à tua frente, porque o destino não existe,
o que existe é o destinar-se.

Estás aqui, agora, venceste mais uma etapa da tua vida!
A hora é de alegria, respiras aliviado a doce leveza
deste ar festivo que vem das tuas conquistas.
Divides tua vitória com todos aqueles
que assumiram contigo a tua empreitada, 
despendendo esforços para bem nutrir as tuas esperanças
em busca do teu êxito que, hoje, resplandece em teu semblante.

Agradece teus benfeitores, mentores, condutores,
companheiros, amigos, agradece a todos por tudo!
Agradece sobretudo Àquele que a todos estes
reuniu junto de ti, nessa empreitada.

Olha à tua frente, olha dos lados, olha para o alto,
percebe o teu universo, percebe o mundo à tua volta,
percebe teus companheiros da grande jornada do viver.
E, olha, principalmente, para dentro de ti.
Faz bom uso do teu aprendizado nas vias do saber,
entre o ter e o ser, busca sempre o equilíbrio.
Sê útil! Serve de ti o que de melhor tiveres a quem precise,
sê melhor a cada dia, que a cada dia farás melhor
o meio que te envolve. Consolida a tua dignidade.
Gratifica o teu espírito com o dom de seres bom
e serve-te a ti mesmo da dádiva de poderes servir.
Sente em teu coração o esplendor da Luz que te ilumina,
a Força imbatível que te encoraja, 
o Poder Supremo que te protege,
o Amor Maior que te abençoa! 
E segue... Avante!


                                                 Isabel Pakes

Mensagem aos formandos do 2º Grau da Escola Pres. Artur da Silva Bernardes
Cerquilho/SP – 02/12/2011



terça-feira, 22 de novembro de 2011



Hoje, dia do músico, minha homenagem 
especial a um músico especial.

In memorian
( Edson Ferraz ) 
  
Minha saudade desliza no teclado imóvel 
em notas de paz e harmonia 
à lembrança das suas mãos.
E vibra nos meus ouvidos, 
 em sonora melodia  
 no timbre da sua voz. 
E dança no riso das crianças - 
 - graça e doçura, 
irmãs do seu carisma. 
E o aplaude no deleite dos velhinhos - 
- serenidade e respeito 
às palmas do seu afago. 
E se gratifica no legado dos seus bens: 
 amor, arte e alegria, 
que alcanço e me acrescenta. 
  
Minha saudade se embala, se enleva... 
Música anímica 
em suaves ondas caminhantes... 
  
Minha saudade descansa 
 sob o manto de Jesus. 
Divino Espírito Santo, guardai-o em Sua Luz.


                                           Isabel Pakes





 Mar, grande Mar


Mar, grande Mar, 
que fascínio é esse 
que me toma os olhos 
e os leva a surfar 
no verde-azul do teu horizonte, 
enquanto o teu espírito 
se apossa do meu corpo 
e não cabendo em mim 
transborda em lágrimas? 
... E o nosso sal se mistura 
no ir e vir das suas ondas. 

Mar, grande Mar, 
que força é essa, 
que apreende os meus sentidos 
e me põe contemplativa, 
estática, 
e cativo o pensamento? 
Que deidade é essa 
que me impõe respeito 
e se faz meu venerando 
e enlevada a minha alma 
num profundo estado de oração? 

Mar, grande Mar...

                                       Isabel Pakes



quarta-feira, 16 de novembro de 2011




Prece   


Senhor,
dá-me do pão, 
 alimento para o corpo, 
sobretudo dá-me do Pão,
alimento para o espírito. 
E dá-me em abundância 
porque o meu espírito não se farta. 

                                                Isabel Pakes



quinta-feira, 10 de novembro de 2011



Observem as crisálidas

Acentuam-se os sinais!
Já se ouvem os primeiros acordes da era vindoura.
Mais um pouco e soarão as trombetas!
Que os ouvidos se dêem a ouvir.
Que tombem todos os marcos!
Não existem fronteiras entre o céu e a terra.
Não existem barreiras entre o homem e o seu Senhor,
O que há são temores - penumbras
que se diluem à proximidade da Luz.

E calem-se as bocas nefastas!
Há muito seus ecos desalentam-se
por muito se repetir e apenas se repetir.
São idos os seus tempos. A Luz se intensifica!
A Luz! Não o incandescer efêmero das chamas.
A Luz! A que vem do despertar da Vida
que a alma aquece e diviniza
e a todo mal acanha e apascenta.
Que sejam despertos os homens!

Observem as crisálidas:
antes limitadas larvas e, de repente,
despertam aladas, em cores, tão lindas,
que o prazer do vôo é maior que o susto
frente à imensidão do espaço
que se lhes abre por inteiro!
Antes, grotescas comiam folhas,
beijarão as flores depois!
Quem lhes voltava a face, as contemplará.
Que os olhos se dêem a ver.

Que sejam despertos os homens! 

                                          Isabel Pakes

     

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

                      


                      Utopia


Madrugada insone, inquieta nostalgia...
Recorro à minha arca de guardados,
abro o diário dos meus velhos dias
no alvorar dos meus anos dourados.

Lembranças ternas, doces fantasias...
O primeiro beijo súbito roubado,
o íntimo fremir... Contida euforia.
Segredo meu em versos camuflado.

Esperança inglória, melancolia...

Saudade. Meus anelos sublimados.
Esboço de um idílio... Ah, utopia!

Folhas em branco, o sonho postergado.

Fecho o diário, já vem raiando o dia.
Segue o amor, na arca, silenciado.

Isabel Pakes


Imagem Google