"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

domingo, 19 de fevereiro de 2012



Nostalgia

Nostalgia é um instante
que escapole do seu tempo
pra reavivar boas lembranças
dormentes no coração.
Teletransporta-se em flores,
cheiros, paisagens, melodias,
em noites enluaradas,
tardes chuvosas, poesias...
Circunstâncias que relembram
o que foi vivido um dia.
Doces momentos provados
num tempo do nunca mais.

Nostalgia é um instante
deslocado do passado
despertando no presente
o que na mente dormia.
É um instante de dois tempos
num mesmo tempo fundidos.
É a canção da alegria,
na voz da melancolia.

                                                    Isabel Pakes


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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012



Haikai

Sol escaldante
andorinhas migrantes
verão passante. 

                                                        Isabel Pakes


domingo, 29 de janeiro de 2012



Só a brisa...

Pendia a rosa esvaecida
num cantinho do jardim,
perdeu a cor, a frescura...
que destino passageiro.
Cumpriu seus dias, tão poucos,
mas com tanto amor viveu,
tão intensa e dadivosa
que deu de si toda a glória
toda a sua graça e beleza
ao meio em que nasceu.
Perfumou a brisa,
encantou tantos olhares
inspirou tantos amores...
Tão bela foi e agora, 
sem mais o viço e o olor,
ninguém mais olha pra ela,
ninguém com ela se importa,
ficou a rosa esquecida.
Só a brisa... Só a brisa
compassiva, piedosa
passa de leve, mansinha,
da-lhe alento, conforta
e acaricia-lhe as pétalas
mesmo depois de morta

                                             Isabel Pakes
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



Um sem fim

O tempo traça em meu rosto o seu percurso,
circundante, acentuando os sulcos,
colhendo noites e replantando dias,
sorvendo o orvalho e absorvendo os raios...
Dentro do espelho me agastando.

Porém, porquanto em mim
registre o seu transcurso,
guardo-me eterna em sua razão
e entremeando crepúsculos e auroras,
trespasso o espelho
e me refaço - caminho de transmigração.

Que o tempo em mim é um
sem fim.

                                                      Isabel Pakes




quinta-feira, 29 de dezembro de 2011




Adeus, Ano velho! Bem-vindo, 2012!


Adeus, Ano Velho! Missão cumprida!
Escoas agora no oceano do tempo,
Dores e alegrias diluem-se... Passaram.
Contudo, fica o extrato dos fatos vivenciados,
o aprendizado filtrado, norteador dos meus novos dias.
Fica o meu eu acrescido, enriquecido de Vida
e as presenças balsâmicas dos familiares e amigos, 
E mais a doçura do amor, a sutileza da poesia! 

Bem-vindo, Ano Novo! A vez é tua!
Há quem diga que trazes transformações,
boas novas, que serás um marco entre os tempos;
outros há que te agouram, incitam temores...
Há também os indiferentes, os incrédulos.
No íntimo, porém, todos igualmente almejam 
dias bem melhores para o mundo.
Pelo sim, pelo não, aliam-se à Esperança,
eternizada criança, cheia de graça e inocência.
Ano vai, ano vem, instante a instante
ela se afiança em sua pura essência, 
posto que vem do sopro do Pai,
indissolúvel herança.
Companheira inseparável do Tempo,
sejam os teus dias densos ou diáfanos, 
a todos convida à reflexão, à Humanização, 
à restauração do Ser.
De novo e de novo ela sempre insuflará
a chama do Amor no coração dos homens,
mesmo àquele que dorme, pois que um dia despertará.
Alento perpétuo em vigília constante,
nos falará a todos de dentro dos nossos sonhos
e se rejubilará quando realizados.
Pela mesma razão se compadecerá,
porque há sonhos bons e sonhos “ruins”,
porquanto, na roda da Vida, seja preciso ainda
homens como meninos turbulentos
para mover os mansos do esquecimento, até que 
ambos se enfadem de andar em círculo
e cheguem, enfim, os dias de concórdia
na nova era que há de vir, segundo os profetas. 
Quando? Um dia... A Esperança espera!
A Esperança sobrevive às eras.
Bem-vindo, Ano Novo! Bem-vindo!
Pelo sim, pelo não, vens à frente fiando esses dias
e a Esperança do mundo te recebe em festas!

                                          Isabel Pakes

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domingo, 18 de dezembro de 2011




Todos os anos é assim


Todos os anos é assim quando chega dezembro.
Uma aura de bondade envolve o planeta,
A esperança renasce! 
As cidades se transformam...
Luzes coloridas se acendem como estrelinhas  
e a Terra parece espelhar o céu.
Canções de amor e fraternidade impregnam o ar
 de um desejo de paz e harmonia!
Tudo é festa, encantamento, magia!
As casas se enfeitam, os homens se unem
e a alegria se instala em seus corações.
Adornam suas árvores, suas ruas 
e montam o presépio onde José e Maria, 
junto à manjedoura, aguardam Jesus Menino.

E chega o dia! O dia maior de todos os dias!
Prepara-se a ceia, a mesa, os brindes...
Os sinos repicam... É meia-noite!
Os olhos brilham! Feliz Natal! Feliz Natal! 
Completa-se o presépio, o Menino nasceu! 
E chega o papai-noel... Oh, oh, oh! 
Que euforia! Abrem-se os presentes, os sorrisos,
os braços para os abraços enquanto, 
na manjedoura, um boi e um burrinho
aquecem Jesus Menino.

                                                   Isabel Pakes

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011



Lembranças de uma Árvore de Natal


Morávamos à beira-linha
e a nossa porta de entrada 
grande e escancarada
deixava ver lá de fora
a nossa Árvore de Natal,
um galho enorme de cedrinho
“plantado” a um canto da sala -
- o ponteiro quase tocando o teto,
enfeitado de pingentes coloridos
e flocos de algodão,
e mais as luzinhas pisca-piscando
projetando nas paredes 
uma linda sombra rendada
em cores que se alternavam,
e, em nós, ternura e fascinação.
Arte e esmero do nosso pai.
Saudade!

Naquela noite, lembro-me bem, revivo...  

Com os olhos da memória
vejo o trem parando diante da nossa casa
e os passageiros se apinhando 
nas janelas de um vagão;
e ouço as vozes de espanto em eufórica exclamação:
Vejam! Vejam lá, a Árvore de Natal! 
Vejam, que linda! Que linda!

Surpresa, admiração, alegria! 
Adultos, jovens e crianças, 
pessoas desconhecidas
vindo, sabe-se lá de onde,
indo, sabe-se lá para onde,
ali, nos rejubilando!
Breves instantes de intensa emoção!
Mas, quando o trem deu a partida, 
já éramos amigos fraternos
trocando acenos de despedida
e votos esfuziantes
de um Bom e Feliz Natal!

E vieram outros Natais

e mais outros e mais outros,
E é de novo... E eu não esqueço.
O trem da vida passando
e as luzinhas pisca-piscando
remetem-me sempre à lembrança
daquela Árvore de Natal. 

                                                         Isabel Pakes



                                       
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