"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

terça-feira, 22 de novembro de 2011



Hoje, dia do músico, minha homenagem 
especial a um músico especial.

In memorian
( Edson Ferraz ) 
  
Minha saudade desliza no teclado imóvel 
em notas de paz e harmonia 
à lembrança das suas mãos.
E vibra nos meus ouvidos, 
 em sonora melodia  
 no timbre da sua voz. 
E dança no riso das crianças - 
 - graça e doçura, 
irmãs do seu carisma. 
E o aplaude no deleite dos velhinhos - 
- serenidade e respeito 
às palmas do seu afago. 
E se gratifica no legado dos seus bens: 
 amor, arte e alegria, 
que alcanço e me acrescenta. 
  
Minha saudade se embala, se enleva... 
Música anímica 
em suaves ondas caminhantes... 
  
Minha saudade descansa 
 sob o manto de Jesus. 
Divino Espírito Santo, guardai-o em Sua Luz.


                                           Isabel Pakes





 Mar, grande Mar


Mar, grande Mar, 
que fascínio é esse 
que me toma os olhos 
e os leva a surfar 
no verde-azul do teu horizonte, 
enquanto o teu espírito 
se apossa do meu corpo 
e não cabendo em mim 
transborda em lágrimas? 
... E o nosso sal se mistura 
no ir e vir das suas ondas. 

Mar, grande Mar, 
que força é essa, 
que apreende os meus sentidos 
e me põe contemplativa, 
estática, 
e cativo o pensamento? 
Que deidade é essa 
que me impõe respeito 
e se faz meu venerando 
e enlevada a minha alma 
num profundo estado de oração? 

Mar, grande Mar...

                                       Isabel Pakes



quarta-feira, 16 de novembro de 2011




Prece   


Senhor,
dá-me do pão, 
 alimento para o corpo, 
sobretudo dá-me do Pão,
alimento para o espírito. 
E dá-me em abundância 
porque o meu espírito não se farta. 

                                                Isabel Pakes



quinta-feira, 10 de novembro de 2011



Observem as crisálidas

Acentuam-se os sinais!
Já se ouvem os primeiros acordes da era vindoura.
Mais um pouco e soarão as trombetas!
Que os ouvidos se dêem a ouvir.
Que tombem todos os marcos!
Não existem fronteiras entre o céu e a terra.
Não existem barreiras entre o homem e o seu Senhor,
O que há são temores - penumbras
que se diluem à proximidade da Luz.

E calem-se as bocas nefastas!
Há muito seus ecos desalentam-se
por muito se repetir e apenas se repetir.
São idos os seus tempos. A Luz se intensifica!
A Luz! Não o incandescer efêmero das chamas.
A Luz! A que vem do despertar da Vida
que a alma aquece e diviniza
e a todo mal acanha e apascenta.
Que sejam despertos os homens!

Observem as crisálidas:
antes limitadas larvas e, de repente,
despertam aladas, em cores, tão lindas,
que o prazer do vôo é maior que o susto
frente à imensidão do espaço
que se lhes abre por inteiro!
Antes, grotescas comiam folhas,
beijarão as flores depois!
Quem lhes voltava a face, as contemplará.
Que os olhos se dêem a ver.

Que sejam despertos os homens! 

                                          Isabel Pakes

     

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

                      


                      Utopia


Madrugada insone, inquieta nostalgia...
Recorro à minha arca de guardados,
abro o diário dos meus velhos dias
no alvorar dos meus anos dourados.

Lembranças ternas, doces fantasias...
O primeiro beijo súbito roubado,
o íntimo fremir... Contida euforia.
Segredo meu em versos camuflado.

Esperança inglória, melancolia...

Saudade. Meus anelos sublimados.
Esboço de um idílio... Ah, utopia!

Folhas em branco, o sonho postergado.

Fecho o diário, já vem raiando o dia.
Segue o amor, na arca, silenciado.

Isabel Pakes


Imagem Google

segunda-feira, 31 de outubro de 2011



Venha comigo
  
Venha comigo. 
Acomode-se nas asas destes versos sonhadores, 
libere seus pensamentos cotidianos 
- que se evadam pelas entrelinhas - 
e desaperte o cinto do seu coração. 
Vamos voar! Voar! 
Provar do vento o sabor natural da liberdade! 
Singrar o azul... Pairar no ar. 
Esculpir nas nuvens sorrisos de crianças
e deixá-los ir céu afora...
E possa a inocência derramar-se sobre os homens. 

Voar! Singrar o azul, desfrutar da paz absoluta! 
E quando o dia se for, adentrar o portal da noite  
e acender as luminárias da Via-Láctea. 
Flutuar junto a poeira dos astros e colher estrelas, 
miríades de estrelas e agrupá-las num imenso coração - 
- Constelação do Amor - Signo da Terra! 
Depois, na euforia desse feito criador, bailar! 
Bailar com as luzes, bailar! 
Bailar no éter, bailar! 
Bailar... Bailar... Vertiginosamente!
E, cadentes, nos incandescer para não despertar...

                              Isabel Pakes



terça-feira, 25 de outubro de 2011



Haikai

Brisa da manhã
raios de sol no quintal
cheiro de hortelã.

                                                    Isabel Pakes