"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013




Pode-se 
mudar o curso de um rio, 
mas não o seu lugar de chegar,
nem a fonte que lhe possibilitou a existência. 
A não ser que ela seque.  
E o rio também.

                                             Isabel Pakes


sábado, 19 de janeiro de 2013




POEMA PARA UM AMOR INTENSO
 
Amas-me tanto, Senhor!
Puseste nas alturas a extensão da tua grandeza
e banhaste os meus olhos com as luzes das estrelas
para que eu possa me extasiar ao contemplar tua beleza!
 
Amas-me tanto, Senhor!
Sobre a terra deixaste transbordar o cálice da tua providência
e fertilizaste o meu espírito nos princípios da fé
para que eu possa me abastar do Pão sem temores de carência!

Amas-me tanto, Senhor!
Concedeste-me o dom da Vida.
Tomaste-me por teu filho e herdeiro dos teus astros, 
das tuas águas, das tuas flores...
E para consumar o teu amor por mim
ofereceste em holocausto o teu melhor cordeiro!

Amas-me tanto, Senhor!
Dentro da minha pequenez me constituíste grande e forte
quando à tua imagem e semelhança.
E tudo o que esperas de mim é tão pouco!
Apenas que eu me guarde simples aos teus olhos,
tua eterna criança!
 
Amas-me tanto, Senhor!
Quantas vezes tenho te contristado 
apresentando-me fraca diante de ti 
sem que te apartes de mim...
Quantas vezes tenho te agastado com lamúrias infundadas
e mesmo assim me reconfortas e me reconduzes à caminhada!
 
Amas-me tanto, Senhor!
Que eu me perco em meus anseios de muito te louvar.
E sinto-me impotente na busca de palavras
que retratem fielmente a minha inspiração.
Por mais que eu me desdobre em pensamento
não consigo me alcançar no infinito da minha gratidão!


Isabel Pakes ~ In "Poesia e Liberdade" das Edições Maria - Juiz de Fora/MG
1º lugar no I Concurso Nacional de Poesias "Fernando Pessoa"
entre 6.564 concorrentes do Brasil e exterior. (1989)





sábado, 12 de janeiro de 2013



Canto cativo

Pássaro cativo canta, 
um canto enternecedor,
mas não as notas que queira entoar  
(instruções de voo e de vida),
para não confundir o pequenino
que o ouve do seu ninho, na árvore  do quintal. 
Só liberto o poderia ensinar a ruflar as asas, 
a alçar voo, mostrar-lhe as manobras... 
A reconhecer as armadilhas do caminho
e a direção para um voo seguro.
A ir e vir tranquilo, solto no ar.

Pássaro cativo só canta para camuflar o seu pesar.
À noite, sob o pano que lhe ofusca o lume,
pensa no pequenino ainda implume -
- que as aparências não o impeça
de o sentir em sua essência.
Não pense em suas asas a impotência,
nem a gaiola um luxuoso modelo  de ninho.
Cresça livre para voar nas alturas;
em sua natureza de pássaro
saiba se orientar em seus voos
e reconhecer um bom lugar de pousar.
E seja autêntico o seu cantar.

                                                      Isabel Pakes



                                                 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013




Salve 2013!

E lá vamos nós neste grande carrossel
girando por entre astros e estrelas,
seguindo a jornada no espaço infinito
que chamamos de céu,
percorrendo o Universo,
incomensurável morada de Deus. 

                                                  Isabel Pakes



Imagem Google

domingo, 9 de dezembro de 2012



Boa noite, Jesus!

 
Jesus, o Senhor disse um dia que quem a mim não recebesse
em seu reino não entraria, mas olha pra mim!
Eu sou feio, pobre, sem graça... 
Passo os dias nas ruas e as noites aqui mesmo, na praça.
Além disso, olha bem, eu sou escurinho.
Quem vai querer me fazer um carinho?
Só o Senhor mesmo, Jesus, só o Senhor!
Por isso eu quero lhe pedir um favor:
na próxima lista que o Senhor chamar coloca meu nome,
 vem me buscar. 
Olha, eu não tenho sapatos, 
minhas roupas estão sujas e gastas, 
mas a minha alma, eu garanto, é casta!
A cola é só pra enganar a miséria, a fome...
Mas a minha alma não cheira. 
Alma não come!
Coloca meu nome Jesus, eu quero ir pro céu. 
Não é justo que eu fique jogado ao léu.
Mas me chame de noite, está bem?
Porque assim, no caminho, eu vejo as estrelas bem de pertinho.
Elas são tão bonitas!
São elas que tomam conta de mim quando venho dormir.
Eu sou tão sozinho! Eu não tenho ninguém! 
A minha mãe me deixou, disse que voltaria, mas nunca voltou. 
A minha mãe me esqueceu.
E o meu pai... dos dois que eu tive nenhum era o meu.
Meu pai de verdade nem sei onde vive, não sei o seu nome...
Pra ele sou um filho que nunca nasceu.
Está vendo, Jesus, minha cruz é pesada!
Aqui embaixo, eu não conto com nada.
O Senhor é minha última esperança.
No que o Senhor disse eu tenho confiança: 
"Vinde a mim..." Aquelas palavras bonitas que o Senhor sabe bem,
que falam que o céu me pertence também!
E então, meu Jesus, o Senhor me entendeu?
Mas não se preocupe, se não der, não deu.
Se o Senhor que é o Senhor, pra ir para o céu
carregou sua cruz, quem sou eu pra ir assim, só por querer... 
Eu compreendo, Jesus. Depois, amanhã é outro dia.
Quem sabe alguém possa vir e querer me levar
pra uma casa, pra um lar... 
Alguém que traga nos olhos um brilho de estrelas,
alguém cheio de luz, 
alguém que conheça o Senhor,
alguém transbordando de amor!
Boa noite, Jesus!

                     Isabel Pakes




terça-feira, 27 de novembro de 2012






Deslizou a luz do dia
pelo manto da noite
respingando estrelas.
Voltará ao arrebol
para recolhê-las
e se recompor em sol.

                                                    Isabel Pakes




sábado, 17 de novembro de 2012




“Lá”

 
Existe um lugar de encantamento em que eu desperto sempre que o cansaço terreno carrega comigo para as profundezas do sono. Azul! Muito o azul é o céu e o sol translúcido lampeja dourando a Vida - única e inesgotável -  na limpidez das águas fluindo, tangendo a tudo e a todos, equiparando-os.  Lá não existe o outro. Todos são Um!

As terras estendendo-se em verdes a perder de vista têm o aspecto de um vasto tapete macio e sedoso em que se pode caminhar milhas sem se sentir os pés. Essas terras não germinam ervas daninhas e as flores que delas brotam são intensamente perfumadas, que o ar tem o gosto do néctar. Lá, em se respirando se alimenta!

Os animais não temem os homens. Antes, se harmonizam com eles, num contínuo processo de decantação da vida. É que os homens de lá vivem com serenidade. São sábios nos costumes. Não abrem feridas na terra, não envenenam o ar, não sangram as águas. São em verdade o que são. Não o que a vaidade os levaria a ostentar. Plenamente, Humanos. Reconhecem-se semelhantes na capacidade de sentir e de amar, semelhantes na luminosidade que emanam, porque se respeitam filhos do mesmo Pai. E as crianças, todas saudáveis, recendem à alegria!

Nesse lugar, onde a paz é uma constante, tudo causa a impressão nítida de transparência. Tudo, desde as pedras...  E ao vir a noite, uma infinidade de estrelas multicoloridas e um luar resplandecente,  de beleza incomum, asseguram-me que não erro em minha visão.

Quando chego lá, levada pelo abandono de minha consciência, pareço levitar tal a leveza que assumo, ao mesmo tempo, fortalecida pela energia que concentro. E quando volto de lá, à revelia de meu íntimo, só um pensamento me ocorre: Viver! Viver intensamente a esperança e nunca, nunca permitir que as agruras deste tempo demovam de mim a fé em um dia verdadeiramente despertar “lá”, nesse mundo bem melhor! 

Isabel Pakes

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