"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

quinta-feira, 21 de março de 2013




Outono


A chuva não cessa, o ar se resfria...

Minha poesia se desnuda como as árvores,

minhas palavras se extenuam pelas entrelinhas,

meus versos se esfacelam, consumidos pelo silêncio.


Minha poesia agora vaga 

nua de sentido

pela madrugada fria.


                          ~ Isabel Pakes





sexta-feira, 8 de março de 2013

8 de MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Essa mulher...

Prendo-me à lentidão dos seus passos.
Observo a figura miúda, a pele encarquilhada,
a névoa que empana o seu olhar...
E meu pensamento se entrega, divaga.
Tento adivinhar a soma dos seus anos,
 a cor dos seus cabelos antes de esbranquiçarem,
o viço que foi perdendo ao longo de sua vida...

Quantas histórias viveu? 
Sentimentos que provou... Quantos?!
Alegrias, tristezas, ilusões, desencantos,
dores, paixões, perdas, saudade, solidão...  
Cada um no seu momento e, o amor!
O amor, sempre! Sempre, o amor!
Amor de filha, de irmã, de amiga,
de mulher, de companheira, 
de mãe, de avó, de bisavó
e, entre tantos outros amores, 
o amor maior - o amor cristão. 
Sentimentos comuns à toda alma vivente.

Mas, ela, essa mulher em quem a vida já arqueja,
que tantas mudanças viu no mundo
e nela mesma, suas impressões em cada fase
e sobre tudo, tento adivinhar... 
E, agora, que o seu tempo, aqui, se escoa,
que a memória a atraiçoa,
o que será que lhe vai no coração? Tento adivinhar
e, de repente, como a ler meus pensamentos,
sua alma se revela diante dos meus olhos,
em seu semblante sereno, aflorada num sorriso
que a bebezinha, em seus braços, responde 
com um sorriso igual.

                                         Isabel Pakes


Imagem Google


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013



Haikai

Noite acalorada,
perfume intenso no ar...
Damas-da-noite na calçada.

                                                  Isabel Pakes





sábado, 2 de fevereiro de 2013



De passagem...

Passou por mim.
Espargiu-me essências de versos,
germinados num coração sonhador.
Lírica inspiração de um sentir sem limites,
que compreende, na alma em  êxtase,
desde o âmago das sementes
aos píncaros das montanhas,
e além, as profundezas etéreas.

Passou por mim.

Seduziu-me...
Provocou-me sensações...
Tantas! Diversas. Ternas...
Frescores matinais,
fragrâncias florais,
beijos de colibris,
aragens veranis,
doçura de mel...

Expôs-me, à alma,
imagens aprazíveis, lindas!  
Campos de flores, trigais, 
cascatas, bosques, mares,
lampejos de estrelas,
chuva de meteoros, 
lumes de pirilampos,
fulgores de auroras,
revoada de pássaros,
nuvens de borboletas...

Levou-me a vôos e mergulhos
por entre esperanças e amores,
canções, risos, burburinhos e cores,
farfalhadas, suspiros, sussurros... 
Por entre as lidas do dia
e a voluptuosidade da noite.

Sons da vida!
Arpejos da natureza,
cósmicos pulsares...

Passou por mim,
viandante no sonho teu.

Cativou-me...
Possuiu-me...
Inundou-me!

E seguiu...

Escreve, poeta! Escreve!
 Escreve a tua poesia
 sonhada! 

                                                           Isabel Pakes








sexta-feira, 25 de janeiro de 2013




Pode-se 
mudar o curso de um rio, 
mas não o seu lugar de chegar,
nem a fonte que lhe possibilitou a existência. 
A não ser que ela seque.  
E o rio também.

                                             Isabel Pakes


sábado, 19 de janeiro de 2013




POEMA PARA UM AMOR INTENSO
 
Amas-me tanto, Senhor!
Puseste nas alturas a extensão da tua grandeza
e banhaste os meus olhos com as luzes das estrelas
para que eu possa me extasiar ao contemplar tua beleza!
 
Amas-me tanto, Senhor!
Sobre a terra deixaste transbordar o cálice da tua providência
e fertilizaste o meu espírito nos princípios da fé
para que eu possa me abastar do Pão sem temores de carência!

Amas-me tanto, Senhor!
Concedeste-me o dom da Vida.
Tomaste-me por teu filho e herdeiro dos teus astros, 
das tuas águas, das tuas flores...
E para consumar o teu amor por mim
ofereceste em holocausto o teu melhor cordeiro!

Amas-me tanto, Senhor!
Dentro da minha pequenez me constituíste grande e forte
quando à tua imagem e semelhança.
E tudo o que esperas de mim é tão pouco!
Apenas que eu me guarde simples aos teus olhos,
tua eterna criança!
 
Amas-me tanto, Senhor!
Quantas vezes tenho te contristado 
apresentando-me fraca diante de ti 
sem que te apartes de mim...
Quantas vezes tenho te agastado com lamúrias infundadas
e mesmo assim me reconfortas e me reconduzes à caminhada!
 
Amas-me tanto, Senhor!
Que eu me perco em meus anseios de muito te louvar.
E sinto-me impotente na busca de palavras
que retratem fielmente a minha inspiração.
Por mais que eu me desdobre em pensamento
não consigo me alcançar no infinito da minha gratidão!


Isabel Pakes ~ In "Poesia e Liberdade" das Edições Maria - Juiz de Fora/MG
1º lugar no I Concurso Nacional de Poesias "Fernando Pessoa"
entre 6.564 concorrentes do Brasil e exterior. (1989)





sábado, 12 de janeiro de 2013



Canto cativo

Pássaro cativo canta, 
um canto enternecedor,
mas não as notas que queira entoar  
(instruções de voo e de vida),
para não confundir o pequenino
que o ouve do seu ninho, na árvore  do quintal. 
Só liberto o poderia ensinar a ruflar as asas, 
a alçar voo, mostrar-lhe as manobras... 
A reconhecer as armadilhas do caminho
e a direção para um voo seguro.
A ir e vir tranquilo, solto no ar.

Pássaro cativo só canta para camuflar o seu pesar.
À noite, sob o pano que lhe ofusca o lume,
pensa no pequenino ainda implume -
- que as aparências não o impeça
de o sentir em sua essência.
Não pense em suas asas a impotência,
nem a gaiola um luxuoso modelo  de ninho.
Cresça livre para voar nas alturas;
em sua natureza de pássaro
saiba se orientar em seus voos
e reconhecer um bom lugar de pousar.
E seja autêntico o seu cantar.

                                                      Isabel Pakes