"O amor é a força mais sutil do mundo." -- Mahatma Gandhi

domingo, 25 de setembro de 2011



Amor, Substantivo Concreto
 
Você é o amor feito criança! 
Amor substantivo concreto 
que tomo nos braços, 
afago, aperto... 
  
Quando olho pra você 
esqueço-me em sua serenidade 
sentindo-me alongar 
no estado do meu ser. 
  
E deixo-me ficar assim, agigantada! 
Abandonada à sua angelical figura. 
É tão doce esta paz de que me inundo 
que me custa acreditar que o céu 
é além divisas deste mundo. 
  
É quando minha alma transparece 
e minha voz te adormece 
feito canção de ninar. 

                         Para meu filho Adriano
                         Isabel Pakes - maio/1972


terça-feira, 20 de setembro de 2011



Aquieta-te 

Aquieta-te, filho das estrelas, aquieta-te! 
O coro ensaia um novo canto para teus ouvidos. 
A mesa, não demora, será posta fartamente, 
mais um pouco e serás saciado. 
O alimento por quê anseias já recende. 
Redobra o apetite, 
antes seja ávido que tíbio. 
  
Aquieta-te, filho das estrelas, aquieta-te! 
Levas na fronte o signo do rebanho, 
onde quer que estejas estás reunido. 
A luz já é feita em ti conforme os desígnios, 
já soma o resplendor! 
As sombras já se escaldam em seu calor. 
  
Aquieta-te, filho das estrelas, aquieta-te! 
Não te intimide o cansaço, 
o trabalho é árduo mas não há desalentar-se. 
Quem atribui as tarefas também fomenta a vontade, 
pois o tempo se acelera e vem o dia 
determinado no ato - o mesmo - da criação. 
O esperado apraza... 
Há que se cumprir a promessa, 
há que se preparar a festa da comunhão! 
  
                                      Isabel Pakes




sábado, 17 de setembro de 2011




Haikai


Mesclam-se as cores
no horizonte o sol
desperta a noite. 

                                                             Isabel Pakes

quarta-feira, 14 de setembro de 2011



Flamas azuis  
  
Emerso das sombras 
à força do lume 
o sólido imenso se avulta 
majestático! 

Hermético, 
geométricamente plantado 
como a levar a terra a contatar no espaço 
as emissões celestiais,
em meio a amplidão do deserto 
onde os fantasmas se inibem 
e se aquietam os sons. 
  
Ao fundo, o negro da noite se acentua 
e o azul fosforece no contraste. 
São flamas azuis lhe coroando o ápice, 
como se lá dentro se guardasse 
o espírito do mundo. 
Admirável archote! 
  
Colossal pira pétrea e angular 
que os séculos olham, arranham  
e... passam, 
porquanto perdure... 
porquanto perdurem as impressões do artista 
neste quadro em que me enquadro, 
buscando decifrar... 

                                               Isabel Pakes



domingo, 11 de setembro de 2011



Bom querer

Levo em mim, tempo afora, um benquerer,
um querer bem... um sentir... um bom querer!
Imprescindível bem – alento para o meu riso,
zelo de minh’alma, que de sonhar preciso.
Cálice de água doce para paliar meus dias,
aura benevolente em meu tórrido caminho,
raio de luz rareando a sombra do "inatingível".
Lenitivos meus – meus versos, minhas poesias...
Oásis de minha vida, meu pão, meu vinho;
silos de esperança no seio do “inconcebível”!
Faltasse-me este bem, este meu bom querer,
rútila chama sob foscas aparências
e me faltasse o enlevo, a cisma, a intuição,
inspiração antiga - companheira do meu ser,
todo o meu verbo se escoaria em reticências...
A alma desvalida de mim se evadiria, então.
Sem sonhos por sonhar – sem vida por viver!

  
                                 Isabel Pakes




quarta-feira, 7 de setembro de 2011



Corpo e Alma, Brasileiro

      Em minhas veias flui o sangue de muitas raças, por isso sou assim, um pouco indígena, um pouco europeu, um pouco afro, um pouco asiático... Americano mestiço. Meus braços concentram forças seculares, herdadas de outros tantos braços arrojados que a seu tempo rasgaram mares, desbravaram matas, estenderam fronteiras, lavraram solos, edificaram cidades e metrópoles. Por isso, minhas mãos são firmes e hábeis.

        Dai-me ferramentas: uma pá, uma caneta, uma enxada, um bisturi, uma agulha, um pincel, um martelo...  E verás uma potência indestrutível se erguer sobre este chão. Em minha mente se mesclam culturas advindas de outras terras, outros continentes, por isso a minha linguagem é doce, minha arte é farta e abrangente, o meu canto alegre, minha dança contagiante e a minha ciência... Ah! Confiai nela, cultivai seus fundamentos, concedei-lhe os meios e surpreenderás o Universo!

      Ainda que em meu peito o frêmito não cesse... Amo demais! É tão grande o coração que tenho, que não pulsa, ribomba sem parar pela constância da emoção. E se a sorte me atraiçoa, me abordando numa curva mal traçada pra tirar-me um bem precioso e uma dor pungente se ergue de repente à minha frente, feito uma muralha onde meu sonho se estraçalha, eu choro. Amargo pranto, sofrido, soluçado... Choro muito, choro tanto, que o mundo inteiro se salga com meu pranto - Réquiem para um bravo campeão. Ayrton Senna, saudade...

      Mas, se num tento de consolo, logo a ventura me acode impelindo pra bem alto o lance que me aflige, eu rio, eu rio e pulo e canto e grito: Brasil! Brasil! Brasil! E tomo nos braços um sonho novo pra embalar. Colo em meu peito uma estrela a mais, agito minha bandeira e outra vez me ponho a acelerar...

      Em minha aparência, reconheço, às vezes se acentuam traços de desolação e indignação, pelas falácias e camuflagens com que tentam me oprimir, me escamotear, mas daí, eu retoco as cores da minha cara e vou às ruas com garra e vontade de vencer, ainda mais verde/amarelo de esperança e energia, azul e branco de idéias claras e pacíficas! E não demora, sou de novo cem, mil, milhares, milhões de vezes mais varonil, com a força imbatível de uma nação inteira, justa e guerreira, abençoada por Deus!

       Eu sei que fatos obscuros do passado projetam suas sombras adiante em meu caminho, eu sei e não me iludo, mas não temo! Seguirei aprendendo com as experiências, discernimento e perseverança, adquirindo hábitos corretos de viver e trabalhar com dignidade, pelo ideal comum. Sempre avante, até que as sombras se dissipem e, finalmente, a ORDEM E PROGRESSO façam jus ao lema que carrego e ao HINO que entôo, e eu possa, então, conduzir o meu futuro à luz fulgurante do saber e da liberdade, com amor fraternal!

      Eu creio nisso! Creio na LEI que ampara os justos e exalta os oprimidos. E em minha fé persisto, em minha fé resisto! A dor me inquieta, mas não me consome. O mal me assalta, mas não me corrompe. Porque eu sou assim, um povo heroico, forte e amoroso, gerado pela mescla do sangue de muitas raças, provando ao mundo que é possível sim, viver em harmonia, um povo mestiço, porém, corpo e alma BRASILEIRO!


~ Isabel Pakes (07/09/1994)




sábado, 3 de setembro de 2011



A sós

Estendo-me diante de ti 
acolhida no leito das tuas mãos serenas.
Neste momento não quero ser apenas poemas,
quero ser também parte da tua essência.

Quero transpor a vidraça dos teus olhos, 
mergulhar no rio das tuas veias 
e percorrer-te ponta a ponta, 
levada pelas ondas das tuas emoções,
flutuar no teu pensamento 
e repousar depois,
na alcova do teu peito.
  
E mesmo que não possa
perdurar-me em tua memória, 
eu cantarei a glória de estar a sós contigo
por alguns instantes,
no aconchego do teu coração. 

                                                    Isabel Pakes